terça-feira, 27 de setembro de 2016

LULA PISA NUM CALO DOLORIDO DA DILMA

"Crivella é cristão. E como cristão ele não poderia trair. Dilma escolheu pessoalmente ele para ser ministro da Pesca. Ele escolheu pescar em águas turvas."

O alvo do ataque é Marcelo Crivella, candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo partidinho que fornece legenda aos autoproclamados bispos (Deus não tem nada a ver com isto!) da Igreja Universal. E partiu do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, boquirroto como sempre.

Só serviu para nos reavivar a lembrança de um crime sem perdão da Dilma: em nome da vil linguagem dos interesses políticos (Glauber Rocha), ter loteado seu ministério, exatamente, entre alguns dos piores pescadores em águas turvas!

Além de haver comparecido à inauguração de um templo dos dito cujos, tão opulento que, se o Cristo estivesse entre nós, certamente utilizaria mais do que um chicote de cordas para expulsar os vendilhões que lá confraternizavam e os políticos que lhes beijavam as mãos...

TEORIA DO CHIFRE

“A diretora da escola está chamando o senhor.” A expressão do menino que veio dar o recado era de cansaço. A escola ficava em frente e o Senhor X permaneceu estendido na relva do fundo do pequeno quintal, ouvindo o canto da cigarra na tarde ensolarada e quieta. 

Seu olhar se deteve por um momento no rosto suado do menino, que viera correndo. Depois voltou a prestar atenção nos ramos verdes das folhagens e no céu azul.

O Senhor X não era propriamente um vagabundo. É algo mais ligado à falta de vontade, como acontece com algumas pessoas. Ele só conseguia fazer alguma coisa quando sentia-se inspirado. Para ganhar algum dinheiro, ajustou-se temporariamente à tarefa de tomar conta dos alunos da escola quando algum professor faltasse. 

Sua missão era conter a algazarra dos pequenos. Os adultos querem assim. Mas é mesmo de se admirar que as muralhas da China estejam ainda de pé, com tanta criança que tem por lá. A algazarra dos adultos, quem contém?

“A diretora da escola está chamando o senhor.”

Significava que ele ia ter de ficar algumas horas em pé, girando o globo terrestre para lá e para cá. "Aqui é a Austrália. Lá, a Antártida. E a Itália. Ela tem o formato de uma bota! Está chutando a Sicília!” Os pequeninos e pequeninas rindo, esta é a cena. 

No fim do mês vinha o pequeno cheque, que se transformava no pequeno dinheiro. O Senhor X gostava das carinhas inocentes da criançada. Os filhotes humanos são lindos. 

E quando crianças não gostam de crianças? Se socam, se xingam. Meninos batem nas meninas, meninas batem nos meninos. Como aquela menininha cor de canela, olhos pretinhos pretinhos. E chorosos. 

Foi assim: os cabelos dela eram pretos e escorridos. Uma menina neste mundo, meu Deus, e chorando. Batiam nela. “Eles me batem todos os dias. É só eu chegar na escola e eles me rodeiam, já vão puxando o cabelo, beliscando, xingando.”

Eles são a criançada. Eles falam que a mãe dela não presta, que anda com todos os homens. E batem nela. Mundo mau. O coração do Senhor X a pular no peito, as pernas fracas e moles. O ar que nem entrava nos pulmões. Eram os olhos pretinhos. Uma menina magrinha, na confusão deste mundo.

Eles caçoam por causa da mãe dela. Dizem que é uma mulher má, que vive atrás de tudo quanto é homem. Caçoam também por causa do pai dela. Dizem que bate na mulher quase todos os dias. 

O Senhor X pegou um pedaço de pau e entregou à menina: “Amanhã, você entra na escola já batendo em quem bate em você. Não precisa falar nada. Entra e já vai batendo. Se alguém perguntar quem mandou, fala que fui eu.”

- É?

- É.

O riso descontrolado, balançando todo o corpinho da menina e as lágrimas se misturando com uma expressão já um pouco alegre.

“E pode dizer a quem te bate que os pais deles também batem nas mães deles. Pode dizer que na casa deles também tem briga e eles que não fiquem caçoando de ninguém por isso.”

Ah, o amor, raciocinava o Senhor X. Lembrou de seu casamento. Ela era magra, silenciosa e o fascinava. Gostou dela na primeira batida de olhos. O primeiro beijo aconteceu no banco do jardim. Ah, enlaçá-la pela cintura, passear com ela pela praça, sentir seu cheiro. Juras de amor.

Casamento.

A diretora da escola perguntou ao Senhor X o que ele tinha feito para transformar aquela menina chorona numa menina sorridente e cheia de entusiasmo e vontade de viver. Agora a menina trazia consigo junto aos livros um pedaço de pau. Os olhos sempre brilhando, como se a alma quisesse saltar do corpo. Em casa, lavava a louça e fazia o serviço como gente grande, cantando. 

Algumas mães tinham vindo perguntar o que acontecera aos seus filhos. Um galo na cabeça daquele ali, o joelho do grandalhão doendo, o dedo enrolado com pano naquele magrelo. “O que você fez, psicólogo?”, zombava a diretora.

O Senhor X e a Senhora X casaram e juraram amor eterno. Quando o Senhor X soube que a Senhora X o traia, ele perdeu a vontade de trabalhar. 

Lá no bairro, o apelido da mulher do Senhor X era rosa-louca. A rosa-louca é uma flor muito branca, muito pequena, com forma de rosa grande. Não tem perfume. É bonita, a gente chega perto, admira, põe a mão e se afasta. A rosa-louca é chamada assim porque dá o ano inteiro, a qualquer hora, em qualquer canto, terreno baldio, praça, jardim. A cabeça do Senhor X girava, girava, girava.

Há um tempão que o Senhor X ficava ruminando, tentando explicar as coisas, nas tardes ensolaradas, ouvindo o canto monótono da cigarra. É uma vagabunda essa danada, canta e farreia sem a mínima vergonha. 

O Senhor X achava que algum escritor talvez um dia escrevesse um livro denominado “A ninfomania e seus efeitos trágicos sobre as crianças de todos os lares do mundo”. E o Senhor X, sempre à busca de explicações, como todo bom apaixonado sempre faz. 

Ninfomania, lia ele, tendência, nas mulheres, para o abuso do coito. Histeromania, metromania, uteromania, andromania, furor uterino. Tudo mais ou menos a mesma coisa.

No homem, lia ele, esse caráter patológico de conseqüências trágicas para a segurança emocional dos filhos, pensava o Senhor X, esse caráter patológico do sexo é o hipersexualismo ou satiríase. Ou afrodisia, que serve para os dois sexos. 

Confrontar a satiríase para ver bem o significado: satiríase, excitação mórbida própria dos sátiros da mitologia. Excitação sexual masculina mórbida. Ninfomania parece não ter nada a ver com histeria, (insistia o Senhor X), que esta é a neurose caracterizada pela transformação de conflitos psicológicos em sintomas orgânicos.

E tem a histerese, que é um dos vários efeitos que aparentam uma espécie de atrito interno, acompanhado pela geração de calor na substância afetada.E tem também a histerese magnética, que é a que ocorre quando uma substância  ferromagnética é submetida a um campo magnético variável.

Desde quando as explicações didáticas, os números, as estatísticas, os detalhamentos técnicos, conseguem contentar um coração apaixonado? O Senhor X nunca iria  chegar a conclusão nenhuma acerca de motivos. 

Mas os corações apaixonados não desistem, mesmo sabendo que tudo está perdido. Aceitar os argumentos do coração foi o único caminho. Então o senhor X decidiu por sua própria conta que, em questões de amor, em questões de possibilidade de vida amorosa e pacífica de um casal, a força de vontade não influi. 
O muito que se consegue, empregando-se a força de vontade, a disciplina, a perseverança (e mesmo a força bruta) é conquistar sucesso em negócios, nos estudos, na política e até nas artes. Mas é por puro acaso que um casal de dá bem.

Um estudo completo sobre a lei das afinidades não tem fim. “O homem trava a batalha, mas a vitória vem do Senhor”, diz a religião. Por puro acaso, por puro acaso, chorava o coração do Senhor X. É por puro acaso que um homem e uma mulher vêm a se conhecer, a se atrair, a se darem um ao outro, a viverem uma vida juntos e relativamente felizes e em paz com os filhos.

Os amigos, contando suas proezas, diziam ao senhor X: “Eu não desisti, lutei, insisti, até que a conquistei”. Não diziam como fazer uma cigarra parar de cantar e farrear. Se elas, as mulheres dos amigos não quisessem, rosnava o Senhor X, seria inútil a força de vontade deles. 

O advogado pode muito bem gostar de uma moça e esta, apesar do prestígio e estatura social do pretendente, escolherá casar com o mecânico, o jovem mecânico que chega belo e confiante não se sabe de onde. O médico a mesma coisa, e sua amada poderá preferir o ferroviário, o menino que ela por acaso conheceu no bailinho do bairro. E assim por diante.

Portanto, para o Senhor X, segundo suas conclusões ao som do canto da cigarra, no fundo do quintal, debaixo do céu azul, a felicidade de um casal é fundamentada no puro acaso. Se coincidir que a outra parte, por motivos cósmicos e misteriosos, concorde, se coincidir que ambas as partes concordem em se aceitar, a sociedade dá certo.

Quando um dos sócios não quer, e muda de planos, e quebra a jura, e começa a cantar e a farrear, torna-se absolutamente impossível convencê-lo do contrário, como se faz numa empresa comercial, por exemplo. A felicidade do homem, da mulher, dos filhos, da família, está por um fio de cabelo.

Por Apollo Natali
A aula terminou. A  menina magrinha cor de canela de olhos pretos e cabelos escorridos foi ao encontro do senhor X.  Alegre, inocente, que dor no peito do Senhor X. 

Ela agarrou na mão forte dele e os dois desceram a ladeira. Pai e filha, esta será sempre uma cena bonita neste mundo, não é mesmo? O Senhor X estava com a cabeça estourando de tanto pensar.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

ELEIÇÃO PAULISTANA É PIOR DO QUE APOCALIPSE ZUMBI

Não tenho ilusões quanto ao que devamos esperar dos políticos profissionais: nada. Isto porque os escolhidos nas urnas não passarão de farsantes, fingindo que mandam enquanto estiverem dançando os minuetos que o poder econômico lhes impõe. 

A grande maioria, sem sequer elegância. Deveriam encenar o teatro da política, mas suas performances grotescas estão mais no nível dos mafuás de periferia.

Em 1976, quando foi lançada no Brasil a obra-prima do diretor italiano Ettore Scola, Feios, sujos e malvados, o título foi a própria piada pronta: muita gente logo passou a assim qualificar os candidatos a prefeito e vereadores que desfilavam na propaganda eleitoral gratuita. Brincalhões faziam listas de quem eram os feios, quais os sujos e quais os malvados. É óbvio que a terceira categoria predominava.

Eu desisti de analisar a sério as propostas dos candidatos, pois estaria, na verdade, avaliando o trabalho dos marqueteiros que bolaram o blablablá por eles repetido exaustivamente. E sempre considerei lapidar a frase do genial Zé Celso, "os publicitários são filhos de Goebbels". Taí uma afirmação que eu morro de inveja por não ter-me ocorrido antes...
Capacete de ciclista ou penico do Menino Maluquinho?

Mas, há certas falsetas morais que me irritam profundamente. Elas, sim, me levam a detestar especialmente alguns candidatos, vendo-os como piores ainda do que a vala comum geral.

Caso, p. ex., do candidato à releição para a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Sua primeira gestão foi, em termos administrativos, menos do que mediana, mas isto não me importou; suponho que qualquer outro ficaria num limbo semelhante.

Ter usado factoides (ciclovias implantadas onde não cabiam, redução do limite de velocidade sem embasamento técnico, etc.) para garantir espaço no noticiário é velho como andar pra frente. 

De intelectuais, mesmo os chinfrins, espera-se que hajam lido qualquer coisa. O Haddad deve ter devorado alguma biografia do Jânio Quadros, o homem da vassoura, aquele que condecorou Che Guevara só para que os bobos falassem mal de si; o da proibição dos monoquínis e da rinha de galos; o dos arcos resgatados que não eram nada do outro mundo mas, bem propagandeados, viraram grandes relíquias arquitetônicas...

Há algo, porém, que deve parecer insignificante para quem tem cabeça feita pela grande imprensa e seus farisaicos critérios, mas para mim é fundamental: caráter.
Jânio era o rei dos factóides

Nunca perdoarei o Haddad por ter recebido a ajuda voluntária da Neca Setubal na campanha municipal de 2012 e depois haver lavado as mãos enquanto seu partido (o PT) massacrava a dita cuja por prestar o mesmíssimo auxílio à Marina Silva na campanha presidencial de 2014. 

Ele, mais do que ninguém, sabia que a fulana não passava de uma herdeira que nunca apitou nada no Grupo Itaú e está sempre procurando causas nobres para preencher sua vida mansa e, provavelmente, um tanto tediosa. 

Mas, Haddad não teve a dignidade de a defender da rede fascistoide de assassinato de reputações que o PT invariavelmente aciona quando o jogo limpo não é suficiente para seus interesses prevalecerem. Lamentável.

VOTARAM NA SRª SUPLICY E ELEGERAM A SRª FAVRE...

A Marta Suplicy é outra que não me passa pela garganta, primeiramente por haver tido como seu maior trunfo (e era fajuto!) na eleição para a prefeitura paulistana no ano 2000 o prestígio do marido, o bom e um tanto folclórico Eduardo Matarazzo. Até então ela havia sido somente deputada federal e ainda não tinha cacife para um voo maior, tanto que, na eleição para o governo do Estado, dois anos antes, não chegara nem ao 2º turno.

No pleito municipal chegou, e justamente contra Paulo Maluf, que então era tido como o corrupto-mor da política brasileira. Daí, evidentemente, a merecida aura de honestidade do Suplicy lhe haver sido benéfica ao extremo. 
O casamento com Favre ficou para depois da eleição...

Boa parte dos seus eleitores deve ter-se sentido ludibriada quando, mal se fechavam as urnas, ela comunicou que já não era mais a mulher do Suplicy desde alguns meses antes, mas sim do Luis Favre. 

Ter sonegado tal informação enquanto lhe foi conveniente representou um feio estelionato eleitoral (é verdade que depois a Dilma Rousseff a superaria em muito neste quesito...) e, no mínimo, de uma demonstração explícita de amoralidade.

É também inesquecível, no mau sentido, o episódio em que ela, quando prefeita, destratou uma pequena comerciante cuja loja fora inundada pelo córrego Aricanduva, uma enchente que acontecia ano após ano no mesmíssimo lugar. A fulana, desesperada, tinha todo direito de cobrar-lhe as providências que não haviam sido tomadas. E a Marta a tratou a pontapés, algo indesculpável em quem, teoricamente, pertencia a um partido dedicado a defender os humildes contra os abusos dos poderosos.

[Mesmo paradoxo que se verificou no caso do Antonio Palocci x Francenildo Costa: um ministro de Estado servir-se tão grosseiramente do seu cargo para violentar os direitos de um humilde caseiro. Era tudo que não se esperaria de um petista que começara sua trajetória na esquerda.]

Então, para mim, seria melhor que se elegesse prefeito(a) de São Paulo qualquer outro que não o Haddad e a Marta? Não, apenas os considero os últimos na minha escala de valores moral.
Será que desta vez ele ganha?

Mas, sendo o que é a Igreja Universal do Reino de Deus (uma instituição que vem driblando há décadas, sabe-se lá como, as acusações de estelionato, lavagem de dinheiro, curandeirismo e lavagem cerebral), a eleição do Celso Russomanno, somada à provável vitória de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, mais me parece um augúrio de catástrofe. Os filmecos de apocalipse zumbi nem chegam perto...

E do João Dória Jr. cansei desde que ele foi um dos principais articuladores do Cansei!, aquela ridícula tentativa de reviver em 2007 a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade, cujo rotundo fracasso só serviu para confirmar que a História só se repete em farsa. 

[Falsificadores da História, por sinal, andaram comparando tal marcha de 1964 com o Fora Dilma, mas as linhas mestras se diferenciaram muito. A derradeira tentativa de reeditar a histeria anticomunista retrô foi mesmo o Cansei!].

São estes quatro os candidatos com chances reais de conquistarem a prefeitura de São Paulo. Dá para tomar uma kaiser antes?

Melhor ainda será se o leitor seguir este bom conselho, que, ao contrário do Chico Buarque, eu lhe dou de graça: vote nulo ao invés de votar nos nulos!

domingo, 25 de setembro de 2016

BANDEIRAS REFORMISTAS x BANDEIRAS REVOLUCIONÁRIAS

"Não há entrada já aberta para a ciência e 
só aqueles que não temem a fadiga de 
galgar suas escarpas abruptas é que 
têm a chance de chegar aos seus
cimos luminosos" (Karl Marx)
A única possibilidade de contraposição à crise político-econômica que se abate sobre o Brasil e o mundo é a negação das categorias capitalistas fundantes, quais sejam:
– a forma-valor (dinheiro e mercadorias), trabalho abstrato e mercado, que em seu conjunto constituem o sistema produtor de mercadorias e o sistema financeiro; 
– o Estado e política. 
Qualquer outra postura é inócua em longo prazo no confronto com as posturas conservadoras dos que querem manter os seus privilégios excludentes, auxiliados pelos seus eternos servos voluntários (os quais se contentam em apanhar as migalhas caídas das mesas dos primeiros, e que ainda são muitos, conforme se constata nas pesquisas de intenção de voto das eleições municipais).

Os conservadores, que defendem a lógica capitalista de modo mais declarado, são os nossos adversários históricos, e estão sempre a tentar renovar as cores de suas bandeiras cada vez mais desbotadas. Cumprem seus papeis segregacionistas de sempre, embora a crise econômica venha deles retirando a máscara de benfeitores sociais; suas posturas inumanas já não passam despercebidas. 

Mas isto não implica inibição das atitudes dos conservadores, eternos viúvos de um passado que lhes foi factível e que agora chega ao esgotamento. Pelo contrário, encastelam-se em suas posições defensivas, dispostos a tudo para preservarem os privilégios que detêm; bradam alto, erguem suas bandeiras nacionalistas; e se fecham nos seus círculos de poder econômico excludente. 

A nós cabe combatê-los firmemente, ainda mais agora, quando os seus postulados se evidenciam como inconsistentes pela crise dos próprios fundamentos daquilo que defendem – o capital.   

Enquanto isto é axiomático, uma questão em aberto é a de quais sejam as bandeiras realmente capazes de emancipar a humanidade da sua escravidão milenar, pois, como disse Geraldo Vandré, “quem sabe faz a hora, não esperar acontecer”.

Como estamos no Brasil, vamos discorrer sobre o nosso posicionamento revolucionário em contraponto às propostas reformistas, posto que estas últimas terminam sempre por ser o estuário natural do nosso fracasso e da reafirmação das posturas conservadoras.  Vejamos algumas delas.

FORA TEMER OU FORA TUDO E FORA TODOS?

O processo eleitoral capitalista é uma farsa, na qual o povo é chamado para legitimar o que está posto numa encenação de escolha soberana, pois faz sua opção dentre aquilo que já foi previamente escolhido: uma ordem constitucional formatada a serviço do capitalismo, modo de mediação social segregacionista que agora atinge o seu ponto de exaustão.  

Vai daí que os partidos políticos (os quais, por assim se denominarem, já estão enquadrados na moldura do capital, ainda que se intitulem socialistas, sociais-democratas, trabalhistas, comunistas ou o diabo que os carregue) terminaram por entronizar um político sem peso eleitoral, conhecido articulador de conchavos parlamentares, antigo membro de governos de direita, na Presidência da República: Michel Temer, o Presidente Temerário

Aliás, foi uma reprise do ocorrido no Brasil em 1985, quando aquele que até poucos meses antes presidia o partido da ditadura militar (o PDS – Partido Democrático Social, sucessor da desgastada Arena – Aliança Renovadora Nacional), José Sarney, terminou por ser presidente da República pelo partido de oposição ao regime militar.  Por coincidência tal partido era o mesmo PMDB de Temer; e Sarney, outro vice que um acaso (a morte de Tancredo Neves) fez envergar a faixa presidencial.

A questão não é retirar Temer do poder e empossar outro títere do capital, mas combater o próprio poder, ainda que isto leve tempo e custe lutas renhidas. 

O que Lula e Dilma fizeram no sentido de superarmos o capitalismo? Absolutamente nada. Pelo contrário, com suas políticas assistencialistas e de conciliação com empresários (que agora lhes apontam os dedos sujos), causaram tal desalento nas consciências populares que salvadores da pátria como Russomanno e outros demagogos rasteiros têm reais chances eleitorais. 

É por estas e por outras que, ao invés de Fora Temer!, devemos bradar Fora todos! e Fora tudo!, além de Não ao voto!.

A LUTA CONTRA A RESTRIÇÃO DE
DIREITOS E SEUS REAIS SIGNIFICADOS 

Um panfleto elaborado pela Central Única dos Trabalhadores contém reivindicações contra a Proposta de Emenda à Constituição nº 241,  que limita os investimentos públicos por 20 anos; contra a Projeto de Lei Complementar nº 257, que limita os gastos nos serviços públicos ao ano fiscal imediatamente anterior; contra a proibição de aumento real do salário mínimo; contra a reforma da Previdência Social; e contra a reforma trabalhista. 

Neste artigo recente, defendi bandeiras populares e públicas contra a restrição de direitos pelo governo. Mas fi-lo no sentido de denunciar a falência do capitalismo e, consequentemente, do Estado, explicitada através dos atos administrativos dos gestores políticos. 

Qualquer um que esteja no governo será refém da lógica econômica em depressão. Dilma Rousseff e seus ministros da área econômica também defendiam tais medidas como parte integrante do ajuste fiscal, como agora ocorre com Michel Temer. Esta é a diferença entre a minha postura e a da CUT.
A não aceitação de medidas restritivas de direitos não deve se dar por meio de bandeiras que impliquem a reivindicação de maior presença do Estado e entronização no poder de alguém que pretensamente tenha compromisso com a emancipação humana. 

Quem se propõe a ocupar o poder político constitucional capitalista e, como consequência, governar sob a lógica do capital, é implicitamente obrigado a negar o interesse popular que o elegeu, sob pena de ser defenestrado do poder por mecanismos institucionais vários, pois ao governante não é dada soberania de vontade. Ele não governa, mas é governado. Tal qual um surfista, ele se equilibra na onda para chegar à praia, mas não modifica a natureza da onda.        

É pura ingenuidade; saudosismo do extinto estado do bem-estar social; ou mero reformismo político demagógico a defesa dos direitos civis e trabalhistas sem que se alerte o povo para a realidade econômica falimentar do Estado e a inconsequência da sua manutenção e das categorias capitalistas que sustentam as causas do infortúnio social capitalista. Tal propósito não é tarefa fácil, mas se trata de uma denúncia indispensável. 

As reivindicações como retomada do pleno emprego; aumento salarial; e outras bandeiras impossíveis de serem atendidas, e mesmo formuladas fora da crítica categorial capitalista, são uma enganação da consciência popular, pois apenas terminam clamando por mais capitalismo, ou seja, equivalem a pedir que a causa da enfermidade cure a enfermidade. (por Dalton Rosado)

sábado, 24 de setembro de 2016

SE A ESQUERDA NÃO REASSUMIR A LUTA DE CLASSES, CONTINUARÁ PATINANDO SEM SAIR DO LUGAR... À BEIRA DO ABISMO!

Dois dias antes de o Senado mandar Dilma Rousseff para casa, mas tendo absoluta certeza de que seria este o desfecho do espetáculo mambembe encenado em Brasília, lancei no blogue Náufrago da Utopia uma discussão sobre os novos rumos que a esquerda deveria tomar, após suas ilusões reformistas e eleitoreiras a terem conduzido à mais acachapante derrota desde a rendição sem luta de 1964. Passados 26 dias, não tenho nada a subtrair ou acrescentar ao artigo inicial daquela série, que republico abaixo, como indicação do cenário ideal para a esquerda nos dias atuais.

Em seguida, reproduzo a coluna semanal de Demétrio Magnoli, dando uma pincelada nas inclinações da esquerda após o vendaval. Melancolicamente, o quadro nela mostrado (o cenário funesto) faz lembrar o cínico conselho do personagem Tancredi, na obra-prima O Leopardo, de Tomasi di Lampedusa: "Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude".

Caso continue desperdiçando tempos e esforços no terreno minado do sistema capitalista, com suas instituições moldadas para eternizarem a propriedade privada e a preponderância avassaladora do poder econômico sobre as decisões políticas, a esquerda nada mais fará do que patinar sem sair do lugar, coonestando uma farsa sinistra: só os crédulos e os obtusos não percebem que as contradições insolúveis do capitalismo e a devastação ambiental delas decorrentes hoje colocam em risco a própria sobrevivência  da espécie humana. 

O QUE FAZER: RETORNARMOS ÀS RUAS, 
COMO PALCO PRINCIPAL DAS NOSSAS LUTAS!

Em 1967, aos 16 anos, fiz minha opção definitiva pelos ideais de esquerda, que eu inicialmente identificava apenas com o marxismo.

A única mudança importante nas minhas convicções ideológicas, desde então, foi ter saído dos cárceres da ditadura convencido de que nada, absolutamente nada, justificava o esmagamento do indivíduo pelo Estado, que eu e meus companheiros sofrêramos na pele. 

Passei a colocar em plano de absoluta igualdade os objetivos revolucionários e o respeito aos direitos humanos. Ou seja, encaro ditaduras, permanentes ou transitórias, como incompatíveis com a dignidade do ser humano e também com a própria integridade da revolução, pois a desvirtuam irremediavelmente, favorecendo a imposição da vontade de nomenklaturas sobre os trabalhadores.

A revolução deve transferir o poder ao povo, não entronizar novos privilegiados.

Coerentemente, deixei de me considerar apenas marxista. No que tange à ditadura do proletariado, os anarquistas é que sempre estiveram certos. Se fossem ouvidos, a revolução soviética não frustraria as enormes esperanças que despertou, a ponto de tornar-se o exemplo negativo que o capitalismo utilizou para dissuadir os trabalhadores de outros países de também lutarem por sua emancipação.

Hoje enxergo pontos válidos no marxismo, no anarquismo, no trotskismo e em muitas bandeiras específicas da geração 68. Se a humanidade vier a ser libertada (há, infelizmente, a possibilidade de o capitalismo nos conduzir ao extermínio antes disto), será pelo que de melhor tais vertentes produziram. É essencial que estejam unidas nos momentos decisivos.

A revolução também não se confunde com capitalismo de estado, nem é necessariamente alavancada pela estatização da economia. Por tal caminho se chega mais facilmente ao fascismo do que ao reino da liberdade, para além da necessidade.

Fui dos primeiros a entrevistar o Lula na campanha eleitoral de 1989. Perguntei-lhe como faria para evitar que as estatais continuassem a serviço da politicalha. Ele disse que as colocaria sob a tutela de conselhos de trabalhadores.
Quando finalmente chegou à Presidência da República, não moveu uma palha neste sentido. Nem isto lhe foi cobrado por quase ninguém, infelizmente. De 1989 a 2002, a esquerda não avançou, retrocedeu. E continua até hoje andando para trás, como os caranguejos.

Eu não mudei um milímetro; considero, p. ex., que teria sido muito melhor se a gestão da Petrobrás coubesse aos trabalhadores organizados. Talvez estes a tivessem mantido nos trilhos, evitando que fosse saqueada e quase destruída pelos políticos profissionais (ou em benefício dos ditos cujos). 

É patética a compulsão pelo poder sob o capitalismo que contagiou a maior parte da esquerda brasileira. Da Presidência da República à vereança, os cargos eletivos na democracia burguesa sempre foram encarados pelos revolucionários como meios para impulsionar a revolução, meras ferramentas da ação revolucionária, e não como fins em si. 

Acabamos de assistir, pelo contrário, à utilização de um imenso arsenal de ilicitudes, falácias e casuísmos para tentar salvar uma presidente que nem sequer estava conseguindo governar, tendo chegado ao cúmulo de entregar a condução da política econômica a um neoliberal, ou seja, a um inimigo de classe

Martelavam que cabia aos esquerdistas apoiarem incondicionalmente Dilma Rousseff, mesmo que isto lhes acarretasse enorme desprestígio e apesar de ela pisar o tempo todo nos ideais e bandeiras da esquerda que um dia honrou. Mas, como a ex-guerrilheira seria vista hoje por qualquer pessoa isenta e dotada de espírito crítico? Apenas como uma tecnoburocrata que aposta todas as suas fichas no Estado e não no povo, com um indisfarçável viés autoritário. 

A revolução é infinitamente mais importante do que quaisquer governos que se limitem a gerenciar o capitalismo para os capitalistas. Pois só ela é solução solução definitiva para os dramas que nos afligem na sociedade de classes. Inexistindo o poder popular, as conquistas de uma fase podem ser todas anuladas na fase seguinte, como está acontecendo agora.

Desmoralizar a revolução aos olhos dos trabalhadores, fazendo-os identificarem-na com tudo que há de antipopular e antiético, equivaleu a destruir sua esperança num futuro de realização plena dos seres humanos, em troca de um poder muito mais ilusório do que real. Quando o verdadeiro poder –o econômico– decidiu dar um fim ao ciclo petista, o fez com um simples piparote, sem nem mesmo ter de recorrer aos serviçais fardados.

Governos vêm, vão e nada muda sob a democracia burguesa e o capitalismo. Cabe-nos, então, priorizar sempre os ideais de esquerda, pois são eles a bússola que nos aponta o caminho para uma sociedade igualitária e livre.

E os erros cometidos nos últimos governos nos devem servir de lições: teremos de fazer tudo bem diferente da próxima vez, para que os frutos dos nossos árduos e abnegados esforços não nos escapem novamente dentre os dedos. (artigo Fim de uma impostura, de Celso Lungaretti)

O QUE NÃO FAZER: CONTINUARMOS
CIRCUNSCRITOS AOS GABINETES E SALÕES.

A morte do PT, essa profecia disseminada, não é um exercício de análise política, mas a expressão triunfalista de um desejo autoritário. O PT provavelmente sobreviverá. Contudo, o impeachment de Dilma e as imputações penais a Lula assinalam o ocaso da hegemonia petista sobre a esquerda brasileira. Chega ao fim uma longa era de unificação partidária quase completa das correntes de esquerda. A encruzilhada atual descortina os rumos contrastantes da substituição de hegemonia ou de uma reunificação pluralista. Batizemos o primeiro caminho como partido-movimento e o segundo como Frente Ampla.

O PSOL sonha construir-se como partido-movimento, assumindo a posição hegemônica no campo da esquerda. Suas referências são o Syriza, que chegou ao poder na Grécia em 2015, e o Podemos, que naquele ano atingiu votação similar à do Partido Socialista, disputando o posto de segundo maior partido espanhol. O Syriza tem raízes no Synaspismos (Coalizão da Esquerda Progressista), um movimento de unificação de correntes radicais fundado em 1991. O Podemos nasceu das manifestações contra a austeridade promovidas pelos Indignados a partir de 2011. Tanto um como o outro expressaram uma dupla rejeição política: à social-democracia e ao comunismo stalinista.

Os intelectuais do PSOL traçam um paralelo esquemático entre o PT e a social-democracia europeia. Na falência do Pasok grego e na decadência do PSOE espanhol, enxergam os funestos indícios do futuro próximo do PT. Assim como a crise do euro abriu a via para a ascensão dos partidos-movimento grego e espanhol, a crise do impeachment propiciaria a troca de hegemonia no Brasil.

Anos atrás, um cartaz de Che Guevara adornava a porta do gabinete de Alexis Tsipras, na sede do Syriza, enquanto Pablo Iglesias, o líder do Podemos, cantava as glórias de Hugo Chávez. O PSOL repete os evangelhos do castrismo e do chavismo, mas sua execução musical está atrasada em um compasso. 
No governo, o Syriza experimentou uma cisão e sua facção majoritária curvou-se à ortodoxia europeia, passando a ocupar o lugar que foi do Pasok. Por seu lado, após o anticlímax das eleições de junho, o Podemos anunciou um giro pragmático à centro-esquerda, borrifando água na chama da rebeldia.

O principal arauto do caminho da Frente Ampla é Tarso Genro, dirigente da Mensagem ao Partido, ala petista devotada à refundação do partido. Seu modelo é a coalizão Frente Amplio, que governa o Uruguai desde 2005, apoia-se na central sindical PIT-CNT e se estende do centro à extrema-esquerda, abrangendo democrata-cristãos, social-democratas, comunistas e tupamaros. Partindo do reconhecimento de que se esgotou a hegemonia do PT sobre a esquerda, a ideia da mesa progressista busca a reunificação por meio de um mínimo denominador comum. Cada um na sua, mas todos juntos na hora das eleições —eis o estandarte de Genro.

A Frente Ampla contempla interesses diversos. De um lado, evita o isolamento de um PT declinante, açoitado pela ventania da desmoralização. De outro, oferece lugares ao sol para a CUT, o MST, o MTST, o PCdoB e a UNE, que já compraram seus bilhetes de ingresso à nau das esquerdas. Mas a estratégia fracassará se não seduzir o PSOL, deixando espaço à ascensão de um partido-movimento. Os primeiros sinais da tensão entre as estratégias conflitantes aparecem nas campanhas municipais de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Nesses tempos de delinquência intelectual, o discurso partidário dissimula-se sob o rótulo da ciência política. Mathias de Alencastro reproduziu o clássico ardil dos antigos partidos stalinistas ao acusar o PSOL de fazer o jogo da direita nas eleições paulistanas. O intelectual-militante fantasiado de acadêmico exprime o desejo inviável de voltar no tempo, reinstaurando a hegemonia que se estilhaça. (artigo Após fim da hegemonia do PT, esquerda brasileira tem dois caminhos, de Demétrio Magnoli)

DICAS PARA A NOVA FORNADA DE PREFEITOS

No próximo dia 1º de janeiro, mais de 5.500 novos prefeitos tomarão posse. Os candidatos que serão eleitos ou reeleitos no próximo fim de semana, sem exceção, prometem a solução de todos os problemas. 

Depois de eleitos e antes mesmo de empossados, muitos já estarão dizendo que imaginavam a dificuldade. Após a posse, a maioria admitirá que não vai conseguir cumprir suas promessas oportunistas. 

Mas, esta é a retórica de um modelo distorcido e arcaico de fazer política: ou promete tudo, numa fantasia enlouquecida e escancaradamente mentirosa; ou, com um discurso mais realista, não se elege nem para síndico.

Administrar é priorizar. Uma das principais prioridades deveria ser firmarem um pacto para extinguirem o analfabetismo funcional em quatro anos de gestão. Pode não ser possível, mas deveriam tentar, pois se trata de um problema de difícil solução, que vários programas nem chegaram perto de resolver.

Há quase meio século criaram o Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização). Depois, o Mova (Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos). Em seguida, o EJA (Educação de Jovens e Adultos), além de muitos outros discursos e promessas.

Deveriam estabelecer metas claras, plausíveis e tentar cumpri-las. Cada prefeito tem um secretário e uma equipe de educação para isso. Nenhuma medida para valer, visando qualificar os professores para melhorar a qualidade do ensino, é colocada em prática. Colocar computadores públicos em todos os bairros e vilas se faz imperioso. Existem algumas iniciativas esparsas, que não geram resultados concretos.
Sem projetos mirabolantes, deveriam criar políticas de arborização das cidades, vilarejos e das estradas nas áreas rurais. Poderiam fornecer mudas adequadas aos solos, ficando o proprietário do imóvel responsável por zelar e proteger as árvores. 

Na área da saúde, toda prefeitura deveria contratar ao menos um urologista, um ginecologista para exames preliminares, que desafogariam os centros médicos das cidades maiores. 

Pequenos postos de atendimento seriam instalados nos vilarejos, com ambulância disponível para transportar as emergências, não permitindo a utilização desses carros para subir e descer com diretores e funcionários (muitas são mais usadas para isso do que para conduzirem os doentes!). Fechar-se-ia o pacote de medidas simples com a contratação de dentistas para orientação de cuidados preventivos.

Também deveriam desenvolver campanha de forma permanente, a fim de cobrar de moradores e de comerciantes que mantenham suas calçadas e meios-fios totalmente limpos; sem papel de bala, sem borrachas de chiclete, sem bitucas.  Exigir das escolas que orientem os alunos sobre atos do dia a dia, como o respeito às regras de trânsito, a alimentação adequada, a ingestão suficiente de líquido e outros comportamentos.

Entre estas e tantas outras medidas, caberia também a instituição oficial de torneios de esportes diversos. Alguns no âmbito das escolas, outros em vilas e distritos, até se chegar a nível municipal, com premiação financeira. 

Afora competições mais amplas, num espaço de tempo maior, de esportes como vôlei, natação, futebol, dama, tênis de quadra e de mesa, xadrez e outros. Tudo de forma simples e prática.
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